ILUSTRAÇÃO

Entrevista: MAFALDA JESUS

samuel

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Samuel Lucas, de 24 anos, é Licenciado em Marketing e Gestão de Empresas e trabalha atualmente na área da ilustração e design gráfico, que define como a sua grande paixão. O seu trabalho passa pela criação gráfica de merchandising, logótipos, posters, cd’s, entre outras peças para bandas nacionais e internacionais, bem como para editoras, promotoras e marcas de roupa. As suas influências passam pelo Skate, o Surf, o Underground e tudo o que seja difícil de imaginar ou interpretar.

1) MELANCIA: Como te descreves numa frase?
SAMUEL: 
Criativo, profissional, simples, humilde, estranho, apaixonado por todo o tipo de arte, por desportos radicais, música, natureza. Este sou eu, tenho 24 anos, vivo na Margem Sul do Tejo e trabalho como freelancer no mundo da Ilustração e do Design gráfico.

2) M: Visto que te licenciaste em Marketing e Gestão de Empresas, como e quando decidiste começar a trabalhar no mundo do Design?
S: É verdade, licenciei-me em Marketing, no início do ano. É uma área em que tenho muita vontade de começar a trabalhar e de explorar e pela qual tenho um gosto enorme devido à ligação direta que tem com a comunicação e com a publicidade. Esta influência ou paixão deve-se em grande parte às minhas outras paixões que são o design e a ilustração.

Desde que me lembro, passava os dias agarrado às bandas desenhadas da Marvel e a partir daí sempre convivi de muito de perto com o desenho e, por volta dos meus 16 anos, devido a uns projetos musicais que tinha, surgiu a oportunidade e a necessidade de poder trabalhar e explorar o mundo do design e do desenho digital nesse âmbito.

Então comecei a mexer no Photoshop, Illustrator... e esse gosto pelo design foi crescendo cada vez mais, através de bandas amigas, na altura. Fiz cartazes para os concertos, punha-lhes o Myspace “bonitinho”, e conforme ia ganhando mais experiência, ia ganhando espaço e confiança para poder fazer outro tipo de trabalhos como t-shirts ou capas de CD’s. Nessa altura não achava ser possível poder vir a fazer daquilo um trabalho a tempo inteiro. Aliás, eu não achava nada, apenas fazia o que fazia simplesmente para ajudar amigos, até porque o mercado da música punk-rock/hardcore/metal em Portugal não era tão divulgado, nem tinha tanta expressão como tem nos dias de hoje. 

 

Acontece, que chega a uma certa altura e eu começo a pesquisar sobre o que se fazia lá fora neste estilo, começo a conhecer a artistas e a inspirar-me nos seus trabalhos e penso “wooow, isto é brutal, quem me dera um dia chegar a este nível e poder viver só disto”. Então, desde aí, mesmo nunca acreditando que fosse possível, comecei a querer saber mais, a querer aprender e a treinar mais, com o objetivo de poder evoluir e a dar uma melhor resposta às necessidades das bandas que trabalhava na altura.

Contudo, entre os meus 18/19 anos, depois de muitas horas perdidas com tutoriais, muitas canetas e muitos lápis comprados e muitas horas de sono perdidas começo a ver as coisas acontecerem, os meus trabalhos começavam a ganhar um estilo próprio, começava a ter alguma procura e algum reconhecimento de bandas e marcas de quem eu era fã. Então, a partir daí, já estava mais consciente de que o design e a ilustração podiam ser um bom trabalho e que poderia fazer disto vida. Felizmente, as coisas foram sempre a crescer, comecei a ser procurado internacionalmente tanto por bandas, como por editoras, promotoras ou marcas de roupa...Têm acreditado e confiado no meu trabalho, não tenho parado um segundo, e até agora não podia estar mais contente.

Viver de qualquer tipo de arte em Portugal é quase impossível e o caminho a percorrer é longo mas com muita força de vontade, trabalho e dedicação tudo é possível!

3) M: Tiveste algum tipo de formação em Ilustração ou Design Gráfico?

S: Não tive qualquer formação aprofundada em nenhuma destas áreas, o que sei de ilustração foi aprendido a ver o meu avô desenhar quando eu era pequeno. E enquanto estive a frequentar a licenciatura de Marketing, tive algumas cadeiras viradas para o design gráfico. Mas sempre fui muito autodidata, aprendi tudo sozinho, em grande parte com auxílio do Google e do youtube e, naturalmente, a errar... aprendi muito com os erros que cometia no início, e então isso foi-me ajudando a procurar querer fazer melhor e a ganhar mais experiência.

4) M: Com que tipo de clientes trabalhas e que estilo de projetos desenvolves maioritariamente?

S: A maior parte dos meus clientes são bandas nacionais e internacionais de hardcore, punk-rock e metal, por aí. Tal como editoras e promotoras que trabalham com bandas destes mesmos géneros musicais. Depois trabalho também com marcas de roupa associadas mais aos desportos radicais como o skate, surf, snowboard… Basicamente, já desenvolvi todo o tipo de projetos, desde peças de comunicação, re-adaptações gráficas, flyers, posters, tábuas de skate, pranchas de surf, lonas... Mas com maior frequência, os trabalhos que realizo são mesmo para impressão em t-shirts ou outra peça qualquer de merchandising, cartazes para concertos/festivais, capas para CD’s, DVD’s e logótipos.

5) M: Desenhas apenas em formatos digitais ou ainda recorres ao papel e à caneta?

S: Durante muito tempo os meus desenhos eram somente desenhados a lápis e depois passados a limpo com as devidas canetas e só recorria ao digital ou à mesa gráfica para pintar ou para dar uns toques aqui ou ali. No entanto, a certa altura, achei que estava a fazer as coisas erradas e que podia evoluir e tornar o meu trabalho mais profissional, ou somente, acompanhar aquilo que outros artistas já faziam e que eu não estava a querer fazer. Acabei por sentir a necessidade de querer ser mais rápido e dar um passo em frente naquele que era o meu traço, passei a fazer apenas os esboços no papel e a desenhar depois todo o trabalho a limpo com a mesa gráfica. Muitas vezes, já nem recorro tanto aos esboços no papel, faço logo tudo através da mesa, mas quando são trabalhos que requerem mais detalhe e são mais complexos, ainda sinto necessidade de desenhar primeiro no papel e depois então passo tudo a limpo em digital.

6) M: O teu portfólio está sempre em crescimento, que projeto destacas? E porquê?

S: Não gosto de destacar nenhum em concreto, todos os trabalhos são diferentes e são um desafio em que procuro ser sempre o mais profissional e dedicado possível. Como é óbvio, existem sempre uns a que damos mais valor. Porque quando eras pequeno sonhavas com o facto de poderes trabalhar para esta ou aquela banda de que eras fã ou ouvias falar, ou para marcas de roupa que sempre vestiste.

Gosto de coisas novas, de fazer desenhos com muito detalhe, se calhar porque me trazem uma vontade acrescida de realizá-los. Um trabalho que também me deu um prazer enorme fazer, e se calhar agora vou ter de destacá-lo, foi uma tábua de skate para uma marca alemã que tem uma projeção gigante no país. Tudo porque foi a minha primeira tábua e quando era pequeno passava muito tempo a ver campeonatos e adorava os desenhos que os skaters tinham nas pranchas, então sempre quis trabalhar nesse mercado e poder desenhar para essas marcas.

 

Destaco também um trabalho do qual me orgulho imenso que foi uma edição especial de merchandising e poster para assinalar os 20 anos do álbum “Wolfheart” da banda portuguesa Moonspell. Foi algo que me deu um prazer enorme porque este álbum tem quase a minha idade, desde muito cedo que conheço Moonspell e o facto de a banda não recorrer muito a ilustrações para as suas t-shirts e agora estar a correr esse risco comigo, com a importância que esta edição especial tinha, foi algo muito gratificante e marcante. Tal como estes dois trabalhos que acabei por destacar existem tantos outros, mas, como disse anteriormente, todos eles têm um significado especial e diferente.

7) M: Sentes que o facto de teres estudado Marketing te ajuda nesta área? Fala-nos de outras influências presentes no teu trabalho.

S: Hmmm…eu diria o contrário, sinto que o design, direta ou indiretamente, me pode ter ajudado na área do Marketing e da publicidade, isso sim. As minhas grandes influências são sobretudo a música que oiço, a sociedade que nos rodeia, a natureza, o lado imaginário...a bem ou a mal, tento sempre reinterpretar ou reimaginar coisas comuns ou menos comuns tornando-as em algo diferente do que estamos habituados a ver. E, claro está, tenho alguns artistas também como referência e influentes no meu trabalho, como o Robert Borbas (Grindesign), Dan Mumford, GodMachine ou o Brandon Heart.

8) M: Que objetivos pretendes atingir? O que te vês a fazer no futuro?

S: Não tenho assim grandes objetivos, de momento, mas gostava de poder trabalhar com mais bandas internacionais de que sou fã, continuar a expandir os meus trabalhos pelo mundo fora, trabalhar com marcas de roupa com que me identifico, fazer edições limitadas de posters... por aí. Sinceramente, num futuro muito próximo gostaria de dar uma oportunidade à área em que me licenciei e poder trabalhar numa agência de publicidade ou no departamento de marketing de uma empresa ou marca com que me identifique. Tentando sempre conciliar com este meu trabalho nos tempos mais livres, claro está.

9) M: Se pudesses escolher qualquer marca do mercado para trabalhar, qual seria?

S: Marcas de roupa/skate escolhia a Volcom, Vans, RVCA, Hurley, Carhartt, Nixon, Santa Cruz, Darkstar, Zero, Plan B, Element, entre outras… porque têm um estilo de design e ilustrações nas suas peças com que me identifico. Empresa para trabalhar, tanto no marketing como na área do design, sem dúvida a Google, a McDonalds, a Coca-cola, a Marvel ou a Pixar. Em termos de bandas ou artistas, todas as que me influenciam, como por exemplo Blink 182, Nofx, Rise Against, Stick to your guns, H2o, Terror, Suicide Silence, Slipknot, Parkway Drive, Bring me the Horizon, Dallas Green, Frank Turner...etc.

10) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos seus leitores!

S: Quero agradecer a oportunidade e dar-vos os parabéns por este fantástico projeto, e que tenham a maior sorte do mundo para o futuro. Deviam existir mais projetos como este em que valorizam qualquer tipo de arte feito no nosso país. Continuem com o bom trabalho!

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