tatuagem

Entrevista: rita alvarez

rose

prophet

foto: @inesrodriguesphoto

Podíamos vê-lo assinar grandes obras, mas Miguel optou por escrever em corpos. Trocou a engenharia civil pela tatuagem fazendo ouvidos moucos a todos aqueles que diziam “não consegues viver da arte”. Além das linhas a preto que desenha na pele, Rose Prophet dedica-se também à música. Quem sabe  se ele não é mesmo um profeta e venha andar por aí a espalhar a mensagem de que “podemos contrariar todos os preconceitos da sociedade”.

1) MELANCIA: Quem é o Miguel?
ROSE PROPHET: 
Confesso que não sou a pessoa mais indicada para responder a esta pergunta. O Miguel é alguém que não vê com bons olhos o mundo social onde inevitavelmente se insere. Como resposta tenta criar uma espécie de ponte entre este mundo e o seu através da arte. Sou extremamente transparente e livre. Não me imponham limites, preconceitos ou formas de estar politicamente corretas pois eu vivo no sentido oposto. Contudo, tento ser uma pessoa que sabe respeitar o espaço de cada um. Para além disto poderia escrever uma lista de adjetivos mais superficiais para me qualificar, mas não acho relevante. Venham tatuar comigo e irão perceber quem sou realmente.

2) M: Porquê “Rose Prophet”?
R: Roseprophet já era o nome da minha conta de instagram antes de começar a tatuar e entretanto ficou. Eu e a música estamos sempre em sintonia, então o “Rose” vem do meu próprio nome, Miguel Rosa, e “Prophet” vem de um teclado/sintetizador que tinha na altura. Era o Prophet08.

3) M: Tatuas há relativamente pouco tempo. Como surgiu o interesse por tatuar? 

R: O interesse por tatuar surgiu por necessidade de conquistar a independência ao nível financeiro. Estudei 6 anos no IST (engenharia civil) e senti que não era aquele o meu caminho. “Não consegues viver da arte”: ouvi esta frase um milhão de vezes ao longo da vida, então acabei por nunca estudar arte. Com a idade percebi que podemos contrariar todos estes preconceitos da sociedade. Numa fase em que precisava de dinheiro para gravar o meu primeiro CD de música, decidi aprender a desenhar em pessoas. Podia ser que desse alguma coisa...

4) M: És um tatuador altamente versátil. Qual o estilo ou estilos que mais gostas de tatuar? 

R: Apesar de ser muito requisitado para trabalhos de linha, de minimalismo, esse não é o meu estilo preferido. Serei sempre contido a desenhar, gosto de marcar pela simplicidade, não gosto de informação a mais. Não tenho um estilo preferido propriamente. Gosto de todos os artistas que marcam pela originalidade, que criam uma nova área na tatuagem e na arte em geral. A mim interessa-me acima de tudo dar resposta ao cliente, quero que ele sinta que a junção das nossas ideias fez surgir a obra.

5) M: Existem tatuagens muito requisitadas e que se tornam muito parecidas entre si. Tentas contornar isto de alguma forma? 

R: Sim, tento contrariar essa situação. Nem sempre é possível mas, no que depender de mim, não há duas iguais. Algumas tatuagens são tipo “moda” então é aquilo e pronto, mas eu tento sempre dar um toque pessoal. Converso muito com as pessoas antes de tatuar.

6) M: És um nome cada vez mais conhecido em Lisboa, contando com mais de doze mil seguidores no Instagram. Como geres a alta procura ao teu trabalho? 

R: Foi tudo muito rápido... Não esperava esta procura num espaço de 1 ano e pouco. Mas olho para isso com entusiasmo e fico muito grato por valorizarem o meu trabalho desta forma. É verdade que existe alguma pressão e é obrigatório saber lidar com isso. Mas a pouco e pouco vou sabendo gerir o meu tempo e levar as coisas com mais tranquilidade. Aproveito esta pergunta para agradecer à minha assistente, a Joana, que é a melhor do mundo. É ela que trata da agenda entre outras coisas. Sem ela seria impossível. Eu sou uma pessoa muito desorganizada.

7) M: Já tiveste alguma situação menos agradável ou caricata a tatuar? Conta-nos! 

R: Situações desagradáveis nunca tive, felizmente. Situações caricatas já tive algumas, mas por respeito aos meus clientes não posso partilhar (risos). Posso dizer que através das tatuagens já ganhei alguns amigos para a vida.

8) M: Para além de tatuador, és músico. Fala-nos da @mesessobrio. 

R: Meses Sóbrio é a minha razão de viver. É a minha maior paixão. Sou um amante de arte no geral, mas música é mesmo “a minha cena”. Como disse anteriormente, comecei a tatuar para ter dinheiro para pagar o primeiro EP dos Meses. Nesta fase embrionária já demos dois concertos, estamos com concertos marcados e a preparar o primeiro Álbum. Trata-se de um som meio rock alternativo/viajante... não sei bem definir. Lá está, tentamos ser originais e autênticos. Acredito muito neste projeto. Vou tatuar o nome da banda no meu corpo. Já cá tenho Pink Floyd, Metallica e Tame Impala.

9) M: Se não estiveres no estúdio, onde te podemos encontrar? 

R: Lux Frágil.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

R: Quero obviamente deixar um enorme agradecimento à Melancia por me ter convidado. Foi um prazer responder a estas perguntas. Vocês são brutais. Espero que continuem por muitos e longos anos. Os leitores agradecem. Eu sou um deles.

Instagram: @roseprophet

 PREFERES 

- Preto e branco ou Cores? Preto e branco.

- Inverno ou Verão? Verão.

- Cerveja ou Vinho? Vinho.

- Tatuagens: Grandes ou Pequenas? Pequenas.

- Cigarros ou IQOS? Cigarros.

- Noite ou Dia? Dia.

- Cães ou Gatos? Não consigo escolher.

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED