Entrevista: mafalda jesus

fotografias: vários

khemeteye

“O corpo da mulher está conectado com a lua”. Conseguem vê-lo na capa desta edição? Foi Ivan Casaleiro, Khemeteye de seu nome artístico, quem a criou. Curvas -- como os seus desenhos -- são as suas respostas que nos envolvem na onda de um pensamento criativo que, acreditem, se torna claro. Talvez seja da “anormalidade”. Não é uma crítica mas, deixem-nos adivinhar: ficaram curiosos!

1) MELANCIA: Como descreves o Ivan?
KHEMETEYE: 
É uma extensão limitada e que é perceptível pelos sentidos ao conjunto dos sistemas orgânicos que constituem um ser vivo, ao conjunto das coisas contidas numa obra escrita e à espessura ou densidade dos líquidos. Sendo assim composto pela cabeça, pelo tronco, pelas extremidades superiores e pelas extremidades inferiores. No que diz respeito aos seus principais elementos químicos, é composto por oxigénio (65%), carbono (18%), hidrogénio (10%), nitrogénio (3%), cálcio (1.5%), fósforo (1%), potássio (0.25%), enxofre (0,25%), sódio (0.15%), cloro (0.15%), magnésio (0.05%), ferro (0.006%) e por outros elementos químicos de menores proporções como cobre, zinco, selénio, molibdénio, flúor, iodo, manganês, cobalto, lítio, estrôncio, alumínio, silício, chumbo, vanádio e arsénico.

2) M: Porquê “Khemeteye”?
K: Este nome surgiu numa altura em que eu andava à procura de um nome que combinasse com a minha persona. Aconteceu quando estás num dia produtivo, cheio de arte e o teu mestre de desenho/espiritual olha para ti e diz “Ivan, devias ter o nome artístico estilo Kemet ou algo relacionado com isso”. Fui logo pesquisar o que era Kemet; a sua simbologia, o que significava. Após a pesquisa fiquei a saber que Kemet significa Egipto na língua antiga antes de existir o latim. Depois dessa descoberta fiquei super ansioso e com esse nome na cabeça até que decidi por Khemeteye. Tendo sempre double meaning no significado: olho do Egipto ou, brincando com a fonética da palavra, khe = key (chaves) sendo ela representada pelo ank; met (conhece) sendo a cobra a morder a cauda em forma de infinito; eye (olho) sendo representado pelo udyat (olho de horus).

Resumindo o nome é dedicado ao antigo Egipto e também significa a junção do ciclo de vida entre o nosso corpo e espírito.

3) M: Desenhas desde que te lembras? Como surgiu esta paixão? 

K: Desde miúdo que tenho um fascínio pelas artes e de criar algo com as mãos mas a verdadeira paixão surgiu quando tinha 13 anos. Foi aí que comecei a fazer desenhos para os meus amigos e passava as aulas a desenhar. Amava desenhar nos meus livros todos. Desde pintar por cima dos desenhos que já existiam ou fazer novos, e era sempre aquele aluno que ficava a limpar a mesa da sala de aula devido aos desenhos feitos na mesa. Isto quando era apanhado e rezava para não contarem à minha mãe. Ganhei gosto de tal forma que fiquei viciado em desenhar chegando ao ponto de passar 360 dias a desenhar e cinco a descansar.

4) M: A música, nomeadamente o reggae, também faz parte de ti enquanto artista. Fala-nos sobre isso. 

K: A música em si é uma ferramenta artística para mim. Há quem beba e use drogas, eu uso a música. O meu género favorito - aquele que por mais fases que passe em termos auditivos nunca me cansa e tem aquela frequência que me faz mexer - é o reggae. Eu já nem o vejo como um género musical mas sim como um modo de vida, para ser sincero. Para mim um dia sem ouvir um som de reggae já não é a mesma coisa. É um mundo no qual todos os dias encontras sons novos, desde os 70 até agora.

5) M: Na tua opinião, o que distingue as pessoas criativas das outras? 

K: Basicamente a sua anormalidade. Uma pessoa criativa é tão “anormal” que é vista como um louco pela polícia da normalidade que nos quer prender em padrões uniformes.

6) M: Que objectivos gostarias de alcançar? 

K: Os meus objectivos são muitos, mas o último da tabela é que dêm o meu nome a uma rua ou a uma rotunda (risos).

7) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? 

K: Ouvir música e desenhar.

8) M: Qual é o teu lema? 

K: “Pensas dentro da caixa ou fora da caixa? Desculpa eu não sei o que é a caixa”.

9) M: Foste o entrevistado convidado para fazeres a capa nesta edição tão especial. Fala-nos dela! 

K: O corpo da mulher está conectado com a lua. É o símbolo do princípio feminino, estando ligado às fases lunares, essas representam os aspectos psicológicos que acompanham a trajectória mensal e anual da vida de uma mulher. Esta ilustração mostra- nos o seu maior valor. São as estrelas que nos guiam na escuridão e por mais que um homem seja parvo ou machista nunca pode esquecer que tem uma mãe e que vem de dentro de uma mulher.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

K: Obrigado à crew da melancia pela oportunidade e aos leitores quero dizer “não percam a próxima edição porque eu também não”.

 

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Instagram: @khemeteye

 PREFERES 

- Papel ou Parede? Papede.

- Pincel ou Lata? Pinata.

- Manual ou Digital? Manital.

- Verão ou Inverno? Primavera.

- Coca-cola ou Pepsi? Pepsicola.

- Tatuagens ou Piercings? Tattoo.

- Noite ou Dia? Gosto do dia, mas vivo muito na noite. 

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