Entrevista: MAFALDA JESUS

ilustrações: VIRUS

VIRUS

Fascinado pelo lettering, Vírus é o seu nome artístico e por enquanto isso basta. Anda por cá há menos de um quarto de século, mas já teve tempo de riscar muitas paredes e produzir alguns sons. Começou aos 15 quando pediu ao pai dinheiro para umas latas. O que é um pai não faz por um filho? Obrigado, pai do Vírus. Sem ti não estaríamos aqui hoje.

1) MELANCIA: Em poucas palavras como te descreves?
VIRUS: 
Uma criança de 23 anos a balançar numa linha ténue entre um alter-ego demasiado gordo e a uma realidade demasiado dura.

2) M: Porquê o nome “Virus”?
V: Senti magia à primeira vez que me surgiu a palavra na mente como tag. Sabia que ia ser um desafio porque tem letras difíceis de desenhar mas o significado sobrepôs-se ao mesmo. Acho que na “utopia de um writer” é isso que nos tornamos, um vírus. Espalhamo-nos por todo o lado sem que a pessoa se aperceba. Já agora, uma curiosidade... Um vírus é a única bactéria que se auto-multiplica sem necessidade alguma do exterior. Essa ideia de auto suficiência é algo que me agrada bastante também

3) M: Como começou esta aventura no mundo do graffiti? 

V: Nos morangos com açúcar! (risos) Estou a brincar. Fiz parte duma geração em que houve um boom muito grande do graff no Porto. Estava tudo pintado, havia muitos writers e sinto que toda a gente tinha a curiosidade de experimentar. Aos 15 anos disse ao meu pai que queria comprar latas para fazer graffiti, e assim foi (algo que mais tarde se arrependeu gravemente). Entretanto conheci muita gente, corri muitas vezes da polícia, passei centenas de noites de copo erguido e espero as muitas mais que viram.

4) M: O lettering é o ponto focal do teu trabalho. O que te fascina nisso? 

V: O facto de as pessoas não perceberem. O facto de serem poucos a saber do que realmente se trata. Lettering é quase como um gajo que percebe de física, ele desenha-te no quadro uma fórmula e achas fantástico, mas não percebes nada. Gosto disso porque as pessoas normalmente sentem-se relacionadas a uma cara e porque será? Porque interagem com caras todos os dias. Mas quem faz lettering não se relaciona a nada, a não ser estas mesmas letras que estão a ler agora. Tudo sai da nossa mente. Acredito que é muito mais difícil desenhar um lettering espetacular do início ao fim, do que uma cara.

5) M: A música também faz parte da tua história enquanto artista. Fala-nos sobre isso. 

V: Como o graffiti não sai barato e eu tenho ainda muito mais para dar (pow pow) decidi focar-me na produção musical. Estou de momento a trabalhar em dois álbuns: “Weis & Virus 2” para sair daqui a um ano sensivelmente e o meu projecto a solo, para esperar no início de 2018. Actualmente é para onde me tenho virado mais, por isso toca a ligar as notificações nesse telemóvel, porque chegarão novidades dentro de em breve.

6) M: Que objetivos gostarias de alcançar no futuro? 

V: Conquistar o mundo e.... acho que é só isso.

7) M: Quais são as tuas referências e inspirações? 

V: Graffiti: Revok; Semor; Sofles; Ques; Augor; Roids; Colectivo Rua. Música: Enigma; Berna; Dealema; Virtus; Keso; Alkoholiks; Redman.

8) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

V: Obrigado pelo convite e um grandapoio à iniciativa (topa o trocadilho). Aos graffiteiros por ai? Toca a pintar essa M3%?da toda.

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