Entrevista: JULIANA LIMA

ILUSTRAÇÕES: PÂM MORAES

STUDIO

PAMELITAS

Pâm Moraes, 31 anos, é uma brasileira ex-publicitária, diretora de arte, que se reencontrou nos trabalhos manuais. Hoje esta paulista fez do seu perfil no Instagram @pamelitas uma verdadeira galeria, na qual apresenta suas delicadas ilustrações pintadas à mão em porcelana. Conheça as inspirações e o processo criativo desta artista que expressa sensibilidade, natureza e feminilidade nas suas obras nesta entrevista exclusiva. 

1) MELANCIA: Quem é a Pâm Moraes?
PÂM: 
Pâm Moraes é uma publicitária de formação, diretora de arte como ex-atividade e atualmente uma mulher que se encontrou novamente com os trabalhos manuais.

2) M: Quando percebeste a tua aptidão para a área criativa? 
P: Desde criança, eu sempre fui muito curiosa, imaginativa e gostava de inventar brincadeiras, de tentar fazer minha própria massinha de modelar, papel vegetal e cadernos. Então para mim não houve dúvidas na hora de escolher uma profissão no final do secundário. Eu sabia que seria publicitária e trabalharia na área de criação.

3) M: E a pintura em porcelana, como começaste? 

P: Comecei à procura de um curso de modelagem cerâmica. Eu tinha acabado de ser demitida de um emprego de que eu não gostava e estava muito apavorada por ter de voltar à mesma situação. Foram dois meses entre a demissão e a primeira aula de pintura, nesse tempo tentei fazer aquilo de que eu gostava quando era criança: desenhar.

4) M: A sua arte autoral combina o feminino e a natureza. Conta-nos as tuas inspirações. 

P: São temas complementares. Mesmo quando a mulher em si não está junto da natureza, o feminino está presente de alguma forma nas peças. Acho que olhar para a natureza é eu, como mulher, me interiorizar, buscar os meus instintos e expressar-me da forma mais genuína. E como são temas fortes eu faço a dosagem de impacto na paleta de cores.

5) M: Conta-nos como funciona o teu processo criativo. 

P: Geralmente, as ideias vão vindo por observar a cidade e pessoas. Gosto de deixar minhas influências bem amplas. Vejo graffitis, bordados, pinturas, tatuagens... E paralelamente eu defino a paleta que vou usar baseada no que quero transmitir com a peça. Vou separando as peças que acho que ficariam melhor na arte que imaginei e desenho num papel antes de pintar a porcelana. Muitas vezes tenho a base do que quero pintar, mas vou improvisando à medida que vou sentido a necessidade de cada peça.

6) M: Trabalhas apenas por encomenda ou também tens um acervo e vendes peças prontas? 

P: As duas coisas. O meu stock é limitado porque é um trabalho manual e exige tempo. Mas trabalho com encomendas de coisas que eu exponho e também peças personalizadas desde que eu possa aplicar meu estilo e temas também.

7) M: Em linhas gerais? Como é que as pessoas conhecem o teu trabalho? 

P: O Instagram é a minha grande vitrine. Eu dedico muito tempo na produção de fotos e divulgação através desta rede social. E como eu faço toda essa parte também, acho que acabo empregando uma identidade forte nas imagens. Mas também realizo algumas feiras em São Paulo e é uma oportunidade para ver as peças pessoalmente. O famoso olhar com as mãos.

8) M: Conta-nos uma história interessante de uma encomenda que foi especial para ti. 

P: Ah, eu faço pratos para carregar as alianças dos novos casais até o altar. E eu acabei de receber uma encomenda de uma neta que mostrou um desses pratos ao avô e ele resolveu encomendar uma peça para presentear a mulher. São 40 anos de casados, ou seja, essa me deixou muito emocionada pois eu farei parte desses 40 anos de casamento e isso faz com que eu tenha mais certezas de que o meu trabalho importa.

9) M: Que coisas são essenciais no teu dia-a-dia? 

P: O meu dia-a-dia é muito corrido e confesso que ainda não está como eu quero. Eu vim de um emprego com um contrato, em que cumpria horário, então ser a minha própria chefe é um desafio ainda maior, porque eu sou a artista, os recursos humanos, o entregador, fotógrafo... Mas eu procuro descansar, ter o meu tempo livre, quanto for necessário, e não me sentir culpada por isso. Quem trabalha com esse lado mais criativo precisa de ter a mente livre, descansada, para conseguir criar.

10) M: Onde encontramos a Pâm quando não está a pintar porcelana? 

P: Nas aulas de Cerâmica, eu comecei finalmente as minhas aulas de Modelagem. E, como uma boa paulistana, no bar com os amigos.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

P: Se você está naquele momento da vida em que não sabe se está feliz com a carreira que escolheu, não tenha medo de reavaliar as escolhas que fizemos tão novinhos. Para a vida continuar caminhando, às vezes precisamos de olhar para os dois lados da rua antes de atravessar (ou mudar de caminho). Acredita que é muito bom ser feliz com o trabalho.

www.facebook.com/studiopamelitas

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED

Melancia_Icon.png