tatuagem

Entrevista: MAFALDA JESUS

MANUEL

RIBAU

Um apaixonado por Blues e pela sua Harley Davidson, Manuel Ribau é um tatuador com um vasto portfólio no estilo tradicional americano. Nesta entrevista, fala-nos do seu percurso e das pessoas que o influenciaram e ajudaram a realizar os seus sonhos profissionais.

1) MELANCIA: Quem é o Manuel?
MANUEL: 
Uma boa questão... Uma pessoa simples. Dou valor à família, ao meu trabalho, aos poucos amigos que tenho. De resto, nada como fazer uns bons kilometros de motas e ouvir um bom Blues. Gosto muito de velharias em geral, ainda agora comprei um batente de porta antigo, com a forma de um cavalo e ferradura. É incrível, apesar de não ter uso nenhum para lhe dar, mas não resisti. Não sei bem o que referir mais, mas tem o seu quê de engraçado fazer esta pequena introspeção, talvez devesse ter um diário.

2) M: Há quanto tempo tatuas e como começou?
M: Ora aqui está a questão que mais caracteres vai ocupar nesta edição da “MELANCIA”. Acho que o primeiro contacto com a tatuagem, ainda que bastante rudimentar, tenha sido com os meus 15/16 anos. Apenas vou dizer “tinta da china e uma agulha”, mas nem me vou adiantar mais... O “clique” deu-se nas Caldas da Rainha, na “Glory Bound Tattoo Parlor”, onde trabalham artistas como “Sailor Marc”, Paulo Almeida, Luis “Bold” num ambiente bastante divertido. Estudava na ESAD na altura, num curso que pouco me motivava. Tatuei-me com o Marcos e algo despertou o interesse na tatuagem. Já tinha algum gosto por tradicional americano e duas tatuagens do estilo, mas ver um trabalho com uma qualidade superior despertou em mim este sentimento que ainda hoje tenho: “ISTO É INCRÍVEL, EU TENHO QUE FAZER ESTA M****!” (desculpem o meu francês). Foi o Marcos que me levou a conhecer as pessoas que me iniciaram nesta arte milenar. Pedro Santos, um tatuador com bastantes anos de experiência e um trabalho excepcional e a Denise Martins (bodypiercer). Foi com eles que dei os primeiros passos. Segui o meu caminho, com esforço mental e físico e alguma sorte, numa fase bastante atribulada, devido a problemas familiares graves. Comecei a trabalhar na Bad Bones Tattooing, estúdio com o seu peso na história da tatuagem em Portugal, onde aprendi muito, especialmente com o Telmo Casal, artista residente no estúdio. Acho, no entanto, que o meu caminho a dar alguns frutos quando descubro a “Ink and Wheels”, no Campo Pequeno. Recém aberto na altura, conheci a Mariza Seita ou como ela se auto-intitula “eu sou mais que tua mãe!”. Com certeza já ouviram falar dela, pois esta mulher encanta o mundo e tem um trabalho muito bom. Também conheci o Marco, um gajo espectacular que vos pode ensinar uns quantos truques quanto a manter calças de ganga impecáveis e na altura também a Diana (bodypiercer). Fui fazendo o meu caminho e já trabalhei em vários estúdios, alguns dos quais, onde trabalho regularmente, como a “Spider Tattoos”, no Porto, o primeiro estúdio a abrir em Portugal, grandes amigos, família, para ser mais exacto. Também tenho que referir a “Queen of Hearts - Lx Factory”, onde podem encontrar o Diogo Andrade, a quem agradeço muito toda a experiência e contacto com vários artistas dos mais variados estilos e também pela amizade constante. Por fim mas, de todo, não menos importante a Exink, em Braga, onde actualmente passo a maior parte do meu tempo, com o ilustre Eduardo Fernandes (tatuador de realismo) e o irmão Carlos Fernandes (bodypiercer). São os irmãos que nunca tive. (Não chorem, vá!). Dito isto, tatuo desde 2013 e tendo sido uma constante aprendizagem, porque aprendizes somos a vida toda. Tatuo há uns breves quatro anos e meio e ainda tenho muito que aprender.

3) M: Quais são as tuas referências e inspirações? 

M: Teria que fazer uma lista infindável de artistas, assim como personalidades e momentos que me inspiraram. No entanto e maioritariamente, no que toca a Tradicional Americano, o estilo que encontram em maioria no meu portfólio, provavelmente os grandes clássicos. Tento também trabalhar em outros estilos como o Tradicional Japonês, Neo-Tradicional e com o tempo espero também em Realismo Black and Grey.

4) M: Com o olhar mais criterioso e treinado de hoje, como classificarias a tua primeira tatuagem? 

M: Obviamente que a minha primeira tatuagem é algo com que já não me identifico hoje em dia. Felizmente, houve uma evolução a nível técnico e a minha cultura a nível visual também foi bastante cultivada. A tatuagem foi feita num grande amigo meu, que felizmente tem bastante orgulho nela e fica muito feliz, diz ele, em fazer parte da história da minha evolução.

5) M: Qual é o cliente ideal? O que chega com um rascunho ou o que te dá liberdade criativa? 

M: O cliente ideal é algo muito relativo. Mais do que referir a personalidade de cada um, apesar de também ter o seu peso na matéria, nada como uma boa pele para trabalhar, assim como uma pessoa que respeite o ofício e seja cooperativa com o nosso esforço, dentro daquilo que podemos exigir de cada um. É realmente uma batalha por vezes e tanto o artista como o cliente devem estar ali com o mesmo propósito. Gosto muito de ter liberdade criativa, obviamente, mas por vezes também surgem desafios muito interessantes nas ideias que os clientes querem desenvolver.

6) M: Qual é o maior desafio profissional nesta indústria? 

M: Desenvolver peças grandes, nos mais variados estilos é algo que demora uma vida a atingir e portanto é algo muito difícil, mas na minha opinião, o maior desafio está nas tatuagens mais simples. Já discuti este assunto com vários colegas que ainda se dão ao trabalho de continuar a desenvolver o estilo, a que chamamos de “comercial”. Tentar criar peças tão simples, com margem zero para erros por serem tão simples e que às vezes nos aparecem tão repetidamente, pode ser algo muito difícil e que satura um pouco. Tentar fazer um bom trabalho e levar o cliente a sair do estúdio com um sorriso, sem menosprezar o cliente que apenas quer um motivo tão simples, pode ser algo muito difícil. De facto, tudo é um desafio quando tentamos o nosso melhor.

7) M: Onde encontramos o Manuel quando não está a tatuar? 

M: (risos) Facil! Isso como ja refri seria eu num dia solarengo a fazer kilometros na minha bela mota de 1999, que esta a ser alterada pela RockSolid, aproveito para dizer. Gosto muito de pintar flash, de ler sobre máquinas de tatuar, gostava muito de vir a construir as minhas próprias máquinas e adoro comer. Ouvir um bom Blues e tocar harmónica é algo que adoro fazer e me tira do sério! Gosto também de skatar quando tenho tempo. Infelizmente os tempos de skatar o dia todo e beber umas cervejas já la vão há algum tempo, mas agora que falo, a ver se tiro algum tempo para dar uns valentes malhos! Acho que tenho gostos muito simples.

8) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

M: Antes de mais queria agradecer a “MELANCIA Mag” pela oportunidade, foi bem mais divertido do que esperava. Acho que o melhor recado que posso deixar, ainda que seja um grande cliché é que trabalhem muito para seguir os vossos sonhos e serem persistentes, principalmente quando virem resultados. Aí é altura de darem o dobro. Quanto a tatuagens, tentem fazer tudo o que o vosso tatuador disser relativamente aos cuidados pós tatuagem, o esforço tem de ser mútuo e nós não dizemos as coisas para ser chatos ou para vos impingir um creme qualquer. Faz realmente diferença, as tatuagens são para durar uma vida. Já que falo nisso, se quiserem uma, sabem como me contactar ou venham só visitar e dizer um grande olá, vou ter todo o gosto em vos receber! Obrigado e vejo-vos no estúdio!

www.instagram.com/manuelribautattooer

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