ilustração

Entrevista: juliana lima

DÁRIO

GOMES

Dário Gomes, 32 anos, é designer gráfico de formação e criativo de profissão. Nasceu em Funchal, Madeira mas vive em Lisboa há anos. Nesta sua primeira entrevista revelou-nos alguns dos seus segredos sobre suas ilustrações. Descubra o universo secreto por de traz dos pontilhismos do Dário e cria coragem para errar também.

1) MELANCIA: Quem é Dário Gomes?
DÁRIO: 
Ainda não sei quem sou ou porquê que estou aqui, provavelmente nunca saberei. Sempre fui curioso desde criança, afoguei todos os meus bonecos em aquários improvisados imaginando uma guerra subaquática, fiz mergulho com saco de ferramentas improvisado para procurar pedras preciosas por baixo de corais, os diálogos entre os peixes expostos na praça enquanto acompanhava a minha mãe nas compras ao sábado de manhã, e as pequenas criaturas escondidas dentro do armário, sei que ainda andam por lá, apenas estou distraído. Procuro saber um pouco de tudo, como se faz tudo, antes da internet, absorvia tudo o que a TV oferecia, desde o Knight Rider ao MacGyver, He-Man aos Cavaleiros do Zodíaco, tudo o que fiz e ainda não fiz, será a resposta à vossa pergunta, até lá vou experimentar tudo o que me faça feliz criativamente. Provavelmente ainda não sabem quem eu sou e isso indica que saltaram o início da resposta.

2) M: Quando e como começastes a ilustrar? 
D: Desde que me lembro, sempre ilustrei ou pelo menos tentei. Nunca gostei de desenhar, até ao dia que ganhei coragem em errar, só quem olha para uma tela branca é que sabe a coragem necessária para o primeiro traço. Sempre gostei de qualquer expressão artística, mas lembro-me sempre do clique pela ilustração, foi quando vi o meu pai distraído a rabiscar, era uma transcrição do que ele sentia, não é por ser bonito ou feio, mas sim o que sentes. Partilho sempre essa coragem com o que desenho, por não ser premeditado, mas sim sentido.

3) M: Qual a relação do personagem dos teus desenhos contigo? 

D: O personagem é um pulha e representa os meus vários egos, ou eu represento os vários egos dele, indiferente. É um homem rude, sem maneiras, mas um companheiro espetacular, normalmente represento-o quando estou mais expressivo. Há dias que nem o vejo, outros que vejo diariamente, embora seja assim, a nossa relação é saudável.

4) M: Quais as tuas inspirações para as situações que o personagem vive nas tuas ilustrações? 

D: Esta é fácil, a minha mulher e gatos (Gandhi, Mickey e Minnie), amigos, passeios, viagens, trabalho, tudo. Por causa desta entrevista reparei que, inconscientemente sempre que entro ou estou de férias, desenho-o de calções de banho no mar. O meu dia-a-dia poderá provocar qualquer situação que desenho.

5) M: Como descreves o teu estilo? 

D: É cru e egoísta. Utilizo muito a técnica do pontilhismo, não por ser a minha favorita (nem por isso), mas porque noto que durante o processo do “tic-tic-tic-tic..” estou a meditar e consigo estar totalmente relaxado, faz-me bem. para viver novas experiências e expressar-me de outra forma.

6) M: O que é essencial no teu dia a dia? 

D: Caos. Trabalho numa agência criativa, procuro sempre o melhor caminho para a melhor ideia, muitas das ideias são lixo e isso causa frustração, mas também muita pesquisa. É exactamente esse caos que me leva a pesquisar muita coisa, que eventualmente vai servir de matéria para desenhar e criar.

7) M: Que objetivos gostarias de alcançar no futuro? 

D: Quero estar dedicado mais tempo às minhas personagens, dar-lhes voz e vida com mais frequência, talvez através de um livro e uma exposição. Não pensei muito sobre isto, mas se um deles se concretizar, partilho com vocês.

8) M: Na tua opinião que noção é que um artista nunca deve perder? 

D: Ui, primeiro que tudo, ignorar a minha opinião. De seguida, devem procurar sempre o que lhes faz feliz, se é pintar bidés de amarelo néon com bananeiras plantadas dentro, se são felizes com isso, continuem, se gostam de simplesmente meter uma lata de refrigerante vazia e esmagada e têm um conceito para essa “obra conceptual contemporânea” continuem, porque essas coisas normalmente fazem-me rir. Procurem o que vos move e faça feliz, mas nunca percam a noção da realidade e do ridículo.

9) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

D: Obrigado pela coragem (ou ignorância) por me concederem a minha primeira - e talvez última - entrevista ‘ever’ e obrigado aos leitores (só aos que leram tudo o que escrevi, os outros, buuh) pelo tempo dedicado a mim. Emoji-coração-com-asmãos.

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