música & escrita

ENTREVISTA: JULIANA LIMA

fernando

ANDREAZI

Morou muitos anos fora do Brasil, nos Estados Unidos, passando pela Carolina do Norte e Boston, mas Fernando Andreazi, brasileiro de 32 anos, nasceu em Campinas, interior de São Paulo (SP). É nesta cidade brasileira que vive há sete anos e encontrou o seu próprio ritmo para enfrentar a loucura desta grande metrópole. Vem connosco conhecer a rotina deste nosso amigo de sorriso contagiante que esbanja e espalha muito talento por aí. 

1) MELANCIA: Quem é o Fernando Andreazi?
FERNANDO: Fernando é um “cara” do bem, alegre, inquieto e apaixonado. É brasileiro, é do samba. Escreve para sonhar e canta para lembrar.

2) M: Qual a tua formação? E a tua profissão?
F: Vivo das palavras. Elas são o meu sustento, a minha farinha de trigo. Misturo as palavras com tudo que faço: roteiros, nomes de marcas, melodias, marchinhas, poemas, sambas, conteúdo, etc. Sou formado em Comunicação Social, mas muito do que aprendi foi em casa, onde a linguagem, a música e a poesia sempre estiveram no centro da mesa.

3) M: Entre imensas e diversificadas experiências profissionais que SP já te proporcionou, optaste por ser freelancer. Por que tomaste esta decisão e como consegues organizar-te? 

F: Escolhi ser freelancer porque amo a minha casa, a minha cidade e o meu tempo. Quero manter uma relação de total conexão com os três. Fazer o que quero e acredito, na hora em que faz sentido. Regar as plantas, passear o cão, andar pelo centro, escrever um texto, ir ao cinema, responder a um email, dormitar, ter uma ideia, compor... Os projetos misturam-se com a vida. E assim organizo-me sem perceber. E assim trabalho sem sofrer.

4) M: A tua iniciativa de criar o “freela bóia”, rede que conecta pessoas que trabalham em casa e estimula encontros para um almoço colaborativo, é incrível. Como tiveste esta ideia e como te sentes com a adesão de tanta gente? 

F: O “freela bóia” foi uma ideia para evitar o desperdício de comida, reunir os “freelas” de São Paulo e criar novas conexões entre pessoas e alimentos. Nós, freelancers, muitas vezes almoçamos sozinhos. Quase sempre sobra comida, ou seja, não custa nada chamar o pessoal e compartilhar. O grupo está aumentando no Facebook e os eventos já renderam boas amizades. E eu adoro o nome!

5) M: Penso que abraçaste muito bem a causa “liberdade com mobilidade”. Certo? Como te sentes a andar de bicicleta por SP, sendo esta uma cidade com um trânsito tão caótico? 

F: Depois de alguns anos pedalando e abraçando a causa, posso dizer que a bicicleta faz muito sentido para uma cidade com tanto trânsito, stress e sedentarismo. Infelizmente, o paulistano tem uma relação de adição com o carro. No automóvel, depositam uma ilusão de poder e proteção. Pior, imaginam que usar a bicicleta como meio de transporte é algo irreal e maluco. Mas não é. Desde que comecei a pedalar, passei a ter uma nova relação com a cidade, com meu corpo e com meu tempo. Faço questão de usar a bicicleta todos os dias, para todos os cantos. Ela é a bandeira do seu próprio movimento.

6) M: Na tua opinião, qual a principal diferença entre viver nos EUA e no Brasil? 

F: Crescer nos Estados Unidos ensinou-me que não podemos controlar o olhar que outros têm sobre nós. Por ser latino, tive de lutar em dobro para abrir pequenas portas por lá. Aqui sou branco, hétero e ainda por cima formado em Massachusetts (muitos brasileiros adoram esses rótulos). Ou seja, portas se abrem mais facilmente. Por outro lado, tenho consciência de que se elas se abrem para mim é porque se fecham para muitos outros. Assim, o que tento fazer é reconhecer os meus privilégios e lutar de alguma forma para que as minorias tenham mais voz e espaço. Sim, o Brasil ainda tem um longo caminho. E não é “mimimi”.

7) M: Tens a música na tua rotina. Tocas, cantas e participas em rodas de samba em SP. Conta-nos de forma breve como te sentes com isso. 

F: Em minha casa, o samba sempre se fez presente. Nos anos em que vivi fora, o cavaquinho foi meu grande parceiro quando o Brasil me faltou. Por isso, tocar, cantar e participar em rodas de samba em São Paulo é uma alegria e uma conexão muito intensa com as pessoas. Recentemente, criamos o movimento #ocupasamba, que são grandes rodas de samba no Largo da Batata, onde todos podem ir e participar. É lindo.

8) M: Queremos saber mais sobre o teu parceiro, o Mano. Como decidiste adotar um cão e como é a tua relação com ele? 

F: A vida é mesmo a arte dos encontros, né? Mano e eu nos vimos pela primeira vez há dois anos na rua de baixo da minha casa. Hoje ele é um grande companheiro (espero que ele pense o mesmo). E com tantos cães abandonados, porquê comprar um amigo? #naocompreadote

9) M: Qual o teu lema? 

F: Tente mudar o mundo para melhor antes que ele te mude para pior.

10) M: Deixa um recado para a MELANCIA mag e os seus leitores. 

F: Adoro a revista. Valeu pelo espaço, pelo contacto e pelo conteúdo. Beijo!

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