Entrevista: JULIANA LIMA

fotografias: RODRIGO CASTRO

RODRIGO

CASTRO

Amigo pessoal de muitos anos, Rodrigo de Castro, mais conhecido pela turma da faculdade por Rogô, apresenta uma trajetória profissional admirável. Publicitário, trabalhou em grandes de São Paulo, teve passagem por Lisboa e hoje está a viver e trabalhar em Nova Iorque. Nesta entrevista exclusiva, Rodrigo fala-nos sobre o seu processo criativo e projetos pessoais, que vai muito além do copy de grandes campanhas publicitárias.

1) MELANCIA: Quem é a Rodrigo de Castro? 
RODRIGO: 
Depois de uma busca rápida no Google descobri que é o Deputado Federal mais votado na história do estado de Minas Gerais. Mas também sou eu, criativo publicitário. Adepto do Corinthians, do signo caranguejo e nascido em São Paulo.

2) M: Como percebeste o teu gosto pela área criativa?
R: Foi algo muito natural. Desde muito novo que estive ligado à música, graças aos meus pais, e acho que isso ajudou-me a abrir os olhos - e os ouvidos - para o mundo das Artes. Através da música descobri o gosto por escrever; depois disso, tornar-me redator foi um pulo.

3) M: Quando começaste, imaginavas que ias ter todo este sucesso? Fala-nos sobre o início da tua carreia.

R: Ter sucesso é algo muito relativo, e poderíamos ficar horas aqui a discutir o que é ou não sucesso. Posso dizer que sempre tive certeza de que um dia estaria a trabalhar numa agência renomeada em Nova Iorque. Não por arrogância, mas simplesmente por acreditar que, tendo as ferramentas necessárias, podemos tudo o que quisermos. E desde o começo da minha carreira, lá na agência Jr. da Universidade Metodista, eu sabia que queria fazer trabalhos relevantes e que tocassem as pessoas. Fico feliz de estar a conseguir fazer trabalhos dos quais eu me orgulho bastante.

4) M: De grandes agências em São Paulo, passaste por Lisboa e agora, conquistaste NYC. Conta-nos um pouquinho do teu percurso no mercado publicitário.

R: O meu percurso no mercado publicitário mistura-se muito com meu percurso pessoal, já que muitas das agências em que trabalhei estão sediadas em países diferentes. Comecei tudo no Brasil em agências como J3P e Artéria, fazendo panfletos para empreendimentos imobiliários e anúncios B2B de remédios. Do Brasil fui para Londres, estudar Inglês. De Inglaterra, fui parar à Y&R Lisboa. De lá, mudei-me para Hamburgo, onde estudei dois anos na Miami Ad School Europe, passando por agências como Jung von Matt, Wieden + Kennedy SP e DDB NY. Depois dessa maratona, fui contratado na DDB de Nova Iorque, onde fiquei dois anos. Passei ainda um tempo na BBH NY, antes de voltar para o Brasil e trabalhar na J.Walter Thompson durante um ano. Atualmente, estou de volta à DDB NY.

5) M: E agora, com tantos prémios conquistados, e diretor criativo associado de uma das maiores agências globais, como te sentes? 

R: É muito gratificante, apesar de nunca parecer suficiente. A cada passo que damos, percebemos que o caminho continua a ser longo. Eu só espero que esse caminho um dia me leve a uma casa no campo, com um estúdio de música e um monte de árvores de fruto.

6) M: Sabemos que apesar de seres copy, tens um grande gosto e interesse por imagens. É só explorarmos o teu feed no instagram. Fala-nos sobre este teu interesse com a fotografia. 

R: Eu sempre me interessei por todo e qualquer formato em que se possa expressar e exercitar criatividade. Seja através da escrita, da música, da fotografia, da pintura ou do que quer que seja. O meu pai sempre gostou muito de filmar e fotografar, acho que o meu gosto vem daí, mas foi de há alguns anos para cá que comecei a praticar com mais intensidade e a desenvolver projetos fotográficos.

7) M: Gostaríamos de destacar um dos teus projetos pessoais chamado “Pics and Songs tips”, em que associas sempre uma fotografia autoral a uma música. Conta-nos como surgiu a ideia e o teu propósito. 

R: Para fazer um projeto pessoal nos tempos livres, é quase fundamental que seja relacionado com algo de que gostamos. Porque é algo que vai tomar o pouco tempo livre que nos sobra, então que seja algo que nos traz prazer. Fotografia e música sempre foram duas paixões minhas, então unir as duas num projeto é algo que me deixa muito satisfeito, já que posso exercitar fotografia e ainda é uma desculpa para pesquisar muitos músicos novos.

8) M: Dos teus projetos, entre profissionais ou pessoais, gostaríamos de saber o que mais te orgulhas. Consegues? Conta-nos qual é e porquê.

R: Inevitavelmente é o “New Beginnings”. Acho que esse projeto sempre será o meu favorito. Parte disso é porque eu sei a dificuldade que foi para colocar dois bailarinos principais do New York City Ballet a fazer uma performance no topo do World Trade Center, no dia 12 de Setembro. Outra parte é pelo desempenho em si. Assistir a Maria Kowroski e Ask la Cour, dançando uma coreografia de Christopher Wheeldon, para uma música de Arvo Part, no topo do World Trade Center 4, em construção, enquanto a cidade de Nova Iorque acordava para o dia 12 de Setembro de 2013, foi algo que eu jamais poderei esquecer. E mesmo que me esqueça, poderei sempre ir ao Youtube e recordar.

9) M: Que noção é que um artista não deve perder?

R: O amor pela Arte. A honestidade. E a noção da responsabilidade de ter nas mãos uma arma poderosa que pode mudar a cabeça de outras pessoas.

10) M: Qual é o teu lema? 

R: Faça, execute, produza. Vale mais uma ideia ‘mais-ou-menos’ executada, do que uma genial guardada na gaveta.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

R: Obrigado pelo tempo, pelo espaço e pelo carinho. Continuem fazendo esse trabalho bacana que vocês fazem. E quando visitarem Nova Iorque, apareçam lá em casa para uma cerveja!

www.rodrigodecastro.net

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