ENTREVISTA: juliana lima

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Beatriz Gosta, interpretada pela portuense Marta Bateria, é uma personagem de ficção que dá vida a um vídeo blogue super animado que dá muito o que falar. A boémia, o sexo, as relações humanas e o humor do quotidiano, abordados na primeira pessoa, são os temas centrais desta espécie de diário íntimo. Uma mulher de 30 anos, aventureira e dona do seu nariz, que conta histórias sem filtro, desafia tabus moralistas ou falsos pudores e que vai dando dicas úteis para causar sensação nesta vida mundana. Não perca esta entrevista #supertudo da Beatriz.

1) MELANCIA: Quem é a Marta Bateira?
BEATRIZ GOSTA: É difícil definir-me em meia dúzia de palavras. Sei lá, sou uma Mulher do Norte, de 34 anos, independente, que hoje se sente feliz e realizada com o que faz. Sou feminista, espontânea, carismática e desbocada, mas de forma consciente. Embora não pareça, sou insegura em tudo o que faço e bastante pessimista, vejo sempre o copo meio vazio, mas tenho tentando melhorar isso.

2) M: Sabemos que o projeto e a criação da Beatriz Gosta foi uma idealização tua com a tua amiga Ana Matos, aka Capicua (que entrevistamos na MELANCIA mag de Outubro). Agora, queremos saber de ti: Como tiveram a ideia e como tudo aconteceu?
B: Eu era designer de Moda numa empresa têxtil em Paredes, acordava às 6h da manhã para ir trabalhar. Não desgostava do que fazia, mas sentia-me exausta, frustrada, aquilo não me estimulava nem realizava. A minha amiga Ana Fernandes (Capicua), farta de ouvir as minhas queixas e lamentos, depois de muitas conversas, virou-se para mim e disse: “És uma óptima contadora de histórias, mega carismática, tens um jeitinho de falar muito próprio... e se gravássemos uns vídeos em formato vlog contigo a contar histórias do quotidiano e da vida boémia? Acho que o pessoal ia adorar!” Tentei gravar com uma amiga e editar sozinha, mas não resultou. Estava muito amador, expunha-me gratuitamente e não passava a mensagem que eu queria. A coisa só aconteceu quando os realizadores André Tentugal e o Vasco Mendes e o ilustrador Vítor Ferreira acreditaram e aceitaram trabalhar no projeto.

3) M: De onde veio o nome da personagem? 

B: Foi a Ana (Capicua) que criou o nome Beatriz Gosta, ela é genial e muito criativa! Naquela altura, ela tinha acabado de ler a biografia da atriz Beatriz Costa e achou que nós tínhamos muita coisa em comum. Como ela, sou baixinha, de cabelo curto, falo gíria e calão, uso expressões brasileiras, não tenho papas na língua, e apesar de ser popularucha, os meus amigos são maioritariamente músicos, artistas e intelectuais. O “Gosta” tem a ver com a internet, as redes sociais, o pôr “like” no Facebook.

4) M: Entre “pau, pau, pau” e “Hello?” das várias histórias, como foi definir o estilo tão autêntico irreverente, feminista e um tanto desbocado da Beatriz? 

B: Foi muito simples e espontâneo. Eu facilmente absorvo e crio calão, é assim que eu me expresso, é a minha identidade. Para encarnar na Beatriz Gosta só tive de exagerar e extravasar ao máximo. Depois, já de mim, sou observadora e crítica, foco nos detalhes, e sou gráfica e sarcástica quando descrevo uma situação, acho que é isso enriquece as minhas histórias e as tornam tão reais.

5) M: As histórias da Beatriz são cheias de vida e realidade, com um toque de exagero e bom humor que só ela tem. Qual o teu processo de criação, inspirações e referências para cada conto? 

B: Os episódios são baseados em histórias reais, minhas, de amigos meus, ou de amigos de amigos meus, é por isso que o pessoal se identifica tanto. Depois há assuntos tabu, que eu acho importante abordar de uma forma leve e divertida. Eu verbalizo o que todos pensam, mas não têm coragem de admitir. Vivemos num país conservador, ainda há muito preconceito, desigualdade de género e isso sempre me incomodou.

6) M: Beatriz gosta transformou-se num fenómeno na internet portuguesa. Quando lançaste o projeto e começaste a publicar os vídeos, imaginaste toda a boa repercussão e este sucesso tão grandioso? 

B: Não. Quando começas a realizar um projeto, tu acreditas que aquilo vai dar certo, senão nem vale a pena fazeres. Durante o processo, o foco está em dar o melhor de ti. E também é importante que todos os envolvidos se divirtam com o que estão a fazer. Foi isso que aconteceu!

7) M: As pessoas devem reconhecer-te na rua e chamar-te muitas vezes Beatriz Gosta. Certo? Tens alguma história engraçada sobre estas situações para contar-nos? Adoraríamos saber aquela que mais te marcou! 

B: Na noite de São João no Porto, veio um rapaz ter comigo aos berros: “Beatriz, tira uma selfie comigo, por favor! A dama que eu quero traçar é mega tua fã. Se eu lhe mostrar uma foto contigo, vou ganhar pontos e aposto que vou facturar direto!” Outra situação engraçada foi no festival “Milhões em Festa”, veio um rapaz ter comigo, já com uma moca descomunal, e disse: “não queres ir ali as casas de banho comigo? Preciso de mostrar te a minha pila, urgente! Estou preocupado com o tamanho dela. Depois de ver o teu vídeo “pilomancia” acho que ela é pequena ou média pequena. Preciso da tua opinião!” Credoooo, virei-me para ele e disse: “vamos ter que lamentar, mas ver uma pila aqui e agora, não vai ser possível. Se te fizer sentir melhor, manda foto para o meu e-mail, que eu dou-te o meu humilde parecer!” Os homens preocupam-se muito com o pirilau e acham que o prazer da mulher só passa pelo tamanho do mesmo. Estão tão enganados!

8) M: E do lado bem pessoal, teus gostos e teu estilo se confundem com o da Beatriz? Quais as principais semelhanças e diferenças. Fala-nos sobre a convivência da Marta com a personagem. 

B: Eu dei coisas da Marta à Beatriz Gosta, ambas são feministas, boémias, têm sentido de humor, são espontâneas e desbocadas. Mas a Marta não está sempre divertida e histérica. Às vezes sou tímida, insegura e bicho do mato, fecho-me e não me apetece falar nem estar com ninguém.

9) M: Sabemos que Marta tem outros heterónimos. Quais são outros? Fala-nos mais sobre este assunto. 

B: Eu acompanho e dobro a Capicua nos concertos, como Rapper sou a M7. Quando saio à noite e bebo uns copos transformo-me na Isabel. Ela é assanhada e a aventureira. Para quem não sabe, eu chamo-me Marta Isabel, daí o Isabel! Em 2008, fiz uma música chamada “À noite sou Isabel”, ouçam, vão perceber tudo!

10) M: Quais os próximos passos e projetos da Marta? Se puderes contar-nos, adoraríamos saber! 

B: No YouTube, vai sair em breve a terceira temporada de Beatriz Gosta, mais babados fortes, mais histórias. Vou continuar com a rubrica/consultório sentimental “lencinho de papel”, onde respondo a dúvidas e apoquentamentos dos meus queridos seguidores. Haverá novidades, estamos a pensar noutros formatos e rubricas, mas não quero adiantar muito. Por enquanto, todas as terças, às 23h, estou no programa “Esquadrão do Amor”, no canal Q, a trocar ideias com a Ana Markl, Carlão e Cláudio Ramos. Todas as sextas, às 9h20 da manhã, estou na rádio antena 3 com a rubrica #quemacreditavai. E mais ao menos até ao Natal, todas as quintas, as 22h45, estarei no programa “5 para a meia-noite” com a rubrica “Sentido da vida”, ao lado do Alvim e da Blaya. De resto, não sei, o futuro a Deus pertence!

11) M: Qual o teu lema? 

B: Procura conhecer-te, aceitar-te, ser uma pessoa melhor e sê feliz com o que tens!

12) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

B: Sê feliz e deixa os outros serem!

www.youtube.com/BeatrizGosta

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