Entrevista: mafalda jesus

ILUSTRAÇÕES: hibashira

hibashira

Estivemos à conversa com o Rui Pereira, um artista multifacetado, que atua em diferentes tipos de suporte, passando pelo design, ilustração, animação, street art, entre outros. Na transição entre o vandalismo e o street art, sentiu a necessidade de ter uma assinatura, e o seu fascínio pela cultura japonesa fez com que adotasse o nome artístico “HIBASHIRA”. Se não o conheces, não percas mais tempo!

1) MELANCIA: Quem é o Rui Pereira?
HIBASHIRA: 
Oxi 3D Crew, vandals, destruidor da propriedade estatal. Puto estúpido, apaixonado pela criação de imagem desde tenra idade, adepto do conhecimento e a partilha entre seres humanos, amante de comida, com metal no coração e um agnóstico que tenta compreender dimensões paralelas e o multiverso.

2) M: Porquê “Hibashira”?
H: Quando comecei a fazer a transição entre o vandalismo e o street art, senti a necessidade de arranjar uma assinatura diferente. Como tenho uma obsessão saudável com a cultura japonesa e queria algo relacionado com fogo, fui à procura num dicionário português/japonês do significado da palavra fogo, que em japonês é HI, mas dei de caras com PILAR DE FOGO que é bem mais brutal, daí HIBASHIRA.

3) M: Como surgiu o teu gosto pela arte? 

H: Desenhos animados, homem aranha e super homem dos anos 80 e o programa do Vasco Granja. Desde que me lembro de existir que quero pôr desenhos a mexer, a partir dessa altura foi passar os dias a desenhar, inclusive chumbar a muitas disciplinas porque passava o tempo todo agarrado às resmas de folhas a4.

4) M: Fala-nos das tuas inspirações e referências. 

H: O futuro, a ideia de como será, a tecnologia e a robótica, a ficção científica, as diferentes culturas medievais, como a época feudal do Japão, imagens tradicionais... Gosto da mistura das duas, do que resulta misturando as linhas de imagem do futuro e do passado, tecnologia e tradição, gosto de observar a natureza, a fauna, particularmente árvores e sapos. Os nomes que me inspiraram e inspiram, Obey SKTR, TSK e SDK Crews, we work for them, the designers republic, Nando Costa, psyop, zeitguised ,Hayao Miyazaki e o studio Ghibli, Akira, Ghost in the Shell, Converge, Old Man Glom, Anal Cunt, Neurosis, John Zorn, Loop Pack, Aesop Rock, Dj Hype Diagram of Sub Urban Caos.

5) M: És um artista multifacetado, que trabalha em diferentes suportes e com diferentes materiais. Como começou a aventura no mundo do street art? 

H: É verdade que sou multifacetado, sei filmar, editar, um pouco de design gráfico, ilustração e animar, o que me ajudar a criar coisas únicas, transpondo esse conhecimento de uns formatos para os outros e por consequência para o street art. Mas pondo a coisa desde o começo, no secundário tive a sorte de ter o writer Moxy na minha turma, que me introduziu ao graffiti, desde aí fiz-me notar na cidade de Almada, acabei a criar uma Crew chamada LEG com os pesos pesados Vhils, Mar, Ram, Hium, Klit, Time, Chure, Bray e Image, passados uns anos, eu e os seis primeiros da crew, criámos um colectivo de trabalho chamado VSP (visual street performance) que deu origem à primeira exposição de graffiti portuguesa, e devo dizer que foi realmente uma aventura.

6) M: Qual é o teu lema? 

H: "When the going gets weird, the weird turns pro” Hunter S. Thompson

7) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? 

H: NAIFA.

8) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

H: Muito obrigado pelo convite, foi um prazer fazer parte desta edição, e estar no meio de umas quantas edições da revista, entre tanta gente criativa. A continuação de um ótimo trabalho, vocês têm tudo para ir longe e continuar a dar doces visuais à malta. Mad props as minhas crews 3D e Leg e aos meus bons amigos que de certeza vão gostar de conhecer esta revista.

 

www.hibashira.com

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