Entrevista: juliana lima

Fotografias: VÁRIOS

CAPICUA

Ana Matos Fernandes, conhecida como Capicua pelo seu trabalho como rapper, é uma portuguesa inspiradora. Nesta era, em que se fala tanto de feminismo e do poder das mulheres, não podíamos deixar de conversar com esta artista talentosa, espontânea e tão criativa que encara o rap como uma missão. Entra connosco nesta melodia cheia de atitude e ajuda-nos a partilhar as mensagens positivas da Capicua.

1) MELANCIA: Quem é a Ana Matos Fernandes?
CAPICUA: Nasci nos anos 80. Sou do Porto. Gosto de palavras, de gelados e de estar dentro de água. Conhecem-me por Capicua, pelo meu trabalho como rapper. A música tornou-se um full time. Nos tempos livres vou para a minha horta!

2) M: Porquê “Capicua”? 
C:
Porque Ana também se lê da mesma maneira de trás para a frente e de frente para trás!

3) M: Sabemos que nasceste no Porto, cresceste a gostar de rimas e de palavras ditas ao contrário. Entretanto, descobriste o hip hop aos 15, primeiro pelos desenhos nas paredes, depois pelas rimas em cassetes, até chegar aos microfones. Fala-nos sobre este percurso. 

C: O meu primeiro contacto com a cultura hip hop foi através do graffiti. Comecei a pintar e fui conhecendo cada vez mais gente com os mesmos interesses. Passei a ir às festas e concertos de rap, a consumir discos de Dealema, Matozoo e Mind da Gap. Até que comecei a ter vontade de escrever as minhas rimas.

4) M: És um talento nato. Entretanto, gostaríamos de saber como classificas o teu estilo e também o que te levou que era este o teu caminho.

C: Desde pequenina que gosto de escrever, mas acho que com a exigência técnica do rap, fui puxando mais os meus limites e definindo um estilo próprio. Diria que sou poética, mas que procuro sempre o impacto das palavras. E que pratico uma escrita comprometida com as minhas causas!

5) M: Fala-nos sobre o teu percurso e os teus álbuns. Como foi esta evolução para ti?  

C: Tenho duas mixtapes, dois álbuns e um disco de remisturas. Sendo que neste momento estou prestes a lançar um disco de música para crianças. Claro que antes deste percurso a solo, fiz dois EP’s em grupo e fui participando em muitas compilações de rap. Acho que a evolução foi gradual, com base num trabalho disciplinado, mas sobretudo feliz! Porque escrever e fazer música é o que mais gosto de fazer!

6) M: “Vayorken” é um hit e a minha música preferida, por sentir nela a Capicua tal como ela é. Assim como neste tema, usas as tuas experiências e as tuas crenças nas tuas músicas. Fala-nos sobre o teu processo criativo e as tuas inspirações.

C: As ideias nascem de muitas formas diferentes! Os caminhos da inspiração são inesperados. Uma letra pode nascer da minha própria vida e das minhas memórias, como a “Vayorken”. De alguma coisa que me preocupe, como a “Medusa”, por exemplo. Ou até de um sonho como a “Sereia Louca”! Quanto ao processo... normalmente tenho uma ideia, penso nela durante algum tempo e só quando encontro um beat que lhe sirva de ambiente é que começo a escrever!

7) M: Elege uma música que merece destaque para ti? Conta-nos o motivo. 

C: Não sei escolher uma música, mas talvez algumas rimas de que gosto muito, porque me definem bem. São da “Casa no Campo”: Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher. Quero uma porta do outro lado da morte e ter porte de mulher forte quando a vida me escolher!

8) M: Tens um artista que consideras uma grande referência para ti e todo o teu trabalho como música? Conta-nos qual e porquê.

C: Muitos! Desde os cantautores de Abril, como o Zeca Afonso, o Sérgio Godinho, o Fausto ou o Zé Mário Branco (por usarem a palavra sempre aliada à música, como ferramenta para a mudança do mundo)... Até algumas mulheres do hip hop, como a Laurin Hill ou a Erykah Badu, porque me inspiraram muito pela atitude e pela qualidade!

9) M: O que se pode esperar de um concerto teu? 

C: Emoções fortes!! Música para pensar, para emocionar, para dançar!! E uma bela dose de espontaneidade!

10) M: Além da vibração do público nos teus concertos, já recebeste imensas nomeações e prémios como reconhecimento de todo o teu trabalho. Como te sentes com todo este sucesso? 

C: O reconhecimento é bom de sentir. Obviamente! Motiva e reforça o empenho. Mas mais importante do que o sucesso é mesmo sentir que me mantenho fiel a mim própria e que sou feliz a fazer isto.

11) M: És conhecida pela tua escrita emotiva e engajamento político, pela espontaneidade e por uma clara atitude feminista. Gostaríamos que comentasses as tuas diversas colaborações neste sentido, como participação em conferências, projetos sociais e workshops, sempre em torno da palavra e da música.

C: Eu acho que o rap vem com essa missão associada... A de falar do que me preocupa, de espalhar mensagens positivas, de inspirar positivamente quem me rodeia... E tento fazer isso, não apenas pela música, mas de todas as formas que estiverem ao meu alcance. Acho que se tenho a oportunidade, tenho também a responsabilidade.

12) M: Qual é o teu lema de vida? 

C: Não tenho propriamente um lema, mas cultivo sempre o optimismo e tento rodear-me do que me faz bem e de quem me faz feliz.

13) M: E o teu maior sonho? (real ou irreal) 

C: Ter uma casa no campo e viver muitos e bons anos (para poder ser avó).

14) M: Queremos saber o que vem aí. Podes revelar os teus próximos passos ou algum projeto futuro?

C: Agora estou dedicada ao lançamento do “Mão Verde”, que é um disco de música para crianças que fiz em conjunto com o Pedro Geraldes (de Linda Martini) e a preparar um concerto especial no CCB (a 2 de Dezembro). Vai ser a primeira vez que vou tocar o meu repertório com uma banda!! Estou ansiosíssima!

14) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos nossos leitores. 

C: Espreitem o meu site para estarem a par das novidades: www.capicua.pt e apareçam nos concertos para partilharmos a música ao vivo e a cores!!

www.capicua.pt

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