Entrevista: MAFALDA JESUS

ILUSTRAÇÕES: SKRAN

SKRAN

Estivemos à conversa com Ricardo Delaunay, conhecido por Skran, um talentoso artista de rua proveniente de Almada. Antes de se entregar completamente à street art e ao grafitti, era gestor bancário, mas rapidamente percebeu que a vida de escritório não era para ele. Apresenta um estilo gráfico, em que a geometria é predominante e afirma que o movimento e a cor são essenciais no seu trabalho.

1) MELANCIA: Quem é o Ricardo?
SKRAN: 
Um “jovem” criativo, oriundo de Almada, que teve sempre um gosto pela arte e a inovação. Antes de dedicar-me totalmente ao graffiti, fui um gestor bancário no BES e percebi depois de alguns anos fechado num escritório, que estava sedento de pintar e decidi arriscar.

2) M: Porquê “skran”?
S: Queria uma palavra que não tivesse significado, mas que tivesse impacto, que fosse diferente e que fosse fácil, juntei as letras que mais me agradam e dentro desta viagem cheguei à palavra “SKRAN”.

3) M: Como foi a tua primeira experiência com o graffiti? 

S: As minha primeiras experiências, eram junto com o meu irmão e um amigo (MINIMALANIMAL e DELEGA), às tantas da manhã nas ruas de Almada no ano de 2003. Quem me mostrou realmente a técnica do Stencil foram eles, fiquei fascinado pela simplicidade e pelas horas de convívio noite fora, a fazer os moldes para depois, espalhar pelas ruas, isto na altura era uma deliciosa aventura para nós que ainda éramos uns putos, tratava-se de pintura ilegal.

4) M: O que te inspira? 

S: Tudo o que for diferente, inovador, tenho um enorme gosto pela procura de artistas arrojados, que procuram novas técnicas, que arriscam na cor, no estilo e procuram sair da zona de conforto.

5) M: Como vês a situação da street art, neste momento, em Portugal? 

S: Está mais que visto a enorme expansão que a Street Art tem tido em Portugal, seja na capital, seja nas aldeias, tem sido acolhida de uma forma tão positiva por parte de todos os Portugueses, hoje em dia quem não deseja ter a sua fachada do prédio pintada? Cada vez mais Portugal preenche uma panóplia de excelentes artistas com diferente técnicas e estilos, apesar de sermos um pais tão pequenino estamos cheio de potencial. Apenas apesar do conceito do graffiti estar a ser “alterado” gostava de não deixar de ver e sentir o grafitti Ilegal, porque não podemos esquecer que esta é a verdadeira essência.

6) M: Como defines o teu estilo? 

S: Bem, penso que principalmente trata-se de um estilo gráfico, por vezes gosto da ideia de movimento, o destaque de cor, dou principalmente foco ás expressões sobretudo do olhar.

7) M: Na tua opinião, que noção é que um artista nunca deve perder? 

S: Penso que enquanto artista nunca devemos perder a nossa identidade, é o fundamental. Não interessa se não somos os melhores a fazer realismo, se não traçamos de forma perfeita... O que é deverás importante para mim é sermos livres de criar e acreditarmos no nosso cunho e a nossa arte. Creio que o auge máximo dentro do graffiti é o trabalho ser reconhecido sem sequer estar assinado, é sinal que o teu estilo e o teu traço estão presentes, o que te tornará único. Outra noção fundamental é o respeito uns pelos outros artistas.

8) M: Que coisas são essenciais no teu dia a dia? 

S: É o meu livro de capa roxa, que me acompanha em todo lado a toda hora, onde nos meus momentos vagos e de inspiração são descarregados para este meu sketchbook e também outra coisa muito essencial a minha câmara fotográfica, da qual registo varias imagens que me inspiram tenho uma enorme paixão pela fotografia, penso que são estas 2 “coisas” o essencial para o meu dia-a-dia.

9) M: Qual é o teu lema? 

S: Sempre bruto e sem medos, em frente é o caminho.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

S: Obrigada MELANCIA mag pela entrevista, já ganharam mais um seguidor, continuem com o excelente trabalho, desejos de sucesso e mais artigos de street art.

 

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