ESCRITA & TIPOGRAFIA

Entrevista: JULIANA LIMA

TRISTEZINHA

DO BEM

Desenhos, exposições, instalações, luminárias e t-shirts compõem “Tristezinha do Bem”, o projeto pessoal de Júlia Duarte. A brasileira de 37 anos expõe os seus sentimentos e apresenta a sua visão de que em “toda tristeza há uma dose de alegria”. Esta perspetiva interessante de encarar a vida convida-nos a refletir sobre o tema de forma leve e inspiradora. Lê a entrevista e perde-te nestas frases e traços simples, cheios de significados profundos.

1) MELANCIA: Quem é Júlia Duarte?
JÚLIA: 
Gaúcha, radicada em São Paulo, adora pessoas e o lado bom que existe em cada uma delas.

2) M: Como começou este teu projeto? 
J: Há alguns anos, quando ainda morava em Porto Alegre, Brasil, tive um surto no meu apartamento e desenhei todas as paredes. Estava a sentir-me triste e quando vi coloquei tudo para fora. A cada visita dos amigos, eles elogiavam. Assim comprei uma moleskine e comecei a desenhar sem parar. Hoje, o “Tristezinha” são desenhos, exposições, instalações, luminárias e t-shirts.

3) M: Porquê “Tristezinha do Bem”? 

J: Numa época da minha vida, após perder o meu pai, sentia-me muito triste. Quando comecei a desenhar entendi que esse estado de espírito poderia transformar-se em algo bom. Hoje, acredito que em toda tristeza há uma dose de alegria. É uma questão de escolher o melhor dos lados.

4) M: A simplicidade dos traços e a inteligência das pequenas frases marcam e inspiram. Fala-nos sobre esta essência do “Tristezinha”.

J: O “Tristezinha” é uma série de desenhos com frases onde a Júlia saudável escreve para toda a solidão que existe na Júlia mais frágil. Afinal, todos temos um lado assim, não é?

5) M: Quais são as referências para a construção deste teu universo? 

J: A minha maior referência é a minha terapia. É tudo o que acontece aqui dentro de mim.

6) M: Diretora criativa de uma agência de tendências, dás aulas de sensibilidade, experiência, processo criativo... mil coisas. Conta-nos o teu segredo para organizar os teus afazeres do dia-a-dia.

J: A minha vida é uma loucura, tenho de ter muita disciplina para conciliar tudo o que faço. O que me salva, dando lacunas de paz entre um momento e outro, é a meditação.

7) M: Como encontras fôlego na tua vida e inspirações para tantas atividades criativas e tantas responsabilidades?

J: As minhas atividades criativas são como processos de cura para todo o caos que existe antes e depois do ato de criar. Preparo-me meditando, nadando e fazendo qualquer outro tipo de desporto.

8) M: O que te vês a fazer no futuro? 

J: Vejo-me com a mesma essência, a trabalhar, desenhar, escrever, mas com uma dose maior de calma e sono.

9) M: Que noção é que um artista não deve perder? 

J: Acho que um artista não pode perder seu compromisso com a verdade, seja ela qual for.

10) M: Qual é o teu lema? 

J: “Na clareza e na leveza”. Não pode faltar verdade, mas por mais dura que ela seja não poder transformar a vida num peso. De peito aberto, a gente tem e aprender a voar no meio de tanto caos.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

J: Quando tudo ficar nublado, respire e escute o que vem de dentro. Os nossos corações têm o poder de nos trazer a verdade sem deixar margem para todas as dúvidas que aparecem no meio do caminho.

www.facebook.com/tristezinha

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED