MÚSICA

Entrevista: juliana lima

mallu

magalhães

Nós sabemos que Mallu Magalhães é uma cantora paulista e uma das primeiras artistas da geração que utilizou a internet como plataforma para divulgar o seu trabalho. A jovem começou a compor desde muito pequenina e teve sempre muita garra e coragem para continuar. Nesta deliciosa entrevista, Mallu conta-nos de forma leve alguns pormenores do seu percurso profissional, da sua atual rotina em Lisboa, das emoções da curta turnê pelo Brasil e expõe momentos especiais que marcaram a sua carreira. Entra connosco nesta linda melodia e inspira-te!

1) MELANCIA: Quem é Mallu Magalhães?
MALLU: Nasci e cresci em São Paulo, cidade que amo demais. Tenho a sorte de ter uma irmã mais do que melhor amiga, um grande pai e uma incrível mãe. Por ter começado a trabalhar muito cedo, com 15 anos, aprendi muita coisa rapidamente, muito embora tenha me cobrado um preço alto também. Meu pai tocava violão, quando sobrava um tempinho, e eu adorava cantar com ele. Minha mãe sempre me incentivou muito e me fez acreditar que eu era fantástica. Mesmo aproximando-me dos dez anos de carreira, ainda tenho, pela música, o encanto que me fez começar.

2) M: Aos 12 anos já compunhas e, em 2007, aos 15 anos, disponibilizaste algumas músicas na internet. O que te atraiu no mundo da música assim tão cedo?
M:
O mundo da música, em si, nunca me atraiu. Nunca sonhei com multidões, prémios ou televisão. Mas tinha, e ainda tenho, um prazer inexplicável ao compor, cantar e tocar. E, claro, ouvir. Eu sempre gostei muito de música mas o panorama musical que hoje temos, com enorme exposição, esse mundo estranho que se construiu para os artistas habitarem, por esse nunca tive atração nenhuma. E esse foi o meu maior desafio, “atirando-me aos tubarões” tão cedo e tão inocentemente. Tenho os meus arrependimentos e os meus orgulhos. No fim, valeu a pena!

3) M: A virada aconteceu, três álbuns a solo depois, decidiste viver em Portugal e criaste a Banda do Mar com o teu marido, Marcelo Camelo, e o vosso grande amigo, o baterista português Fred Ferreria. Músicas alegres e menos introspetivas, a Banda do Mar traz alegria. Fala-nos sobre este projeto.

M: Realmente, houve uma virada de página na minha carreira e na minha vida. Quisemos estar com o Fred, queríamos divertir-nos, estar juntos e fazer um som que não víamos muito por aí: sem grandes dramas, sem grandes complicações. Música para cantar e tocar junto, acordes simples. O Fred certa vez disse uma coisa que muito definia a ideia democrática e convidativa da banda: que a linha de bateria tinha de dar para batucar no volante do carro.

4) M: Vai ter “Saudade - voz e violão” em São Paulo, ainda em Agosto, e no Rio de Janeiro, no início de Setembro. E há muita gente ansiosa por estas apresentações, afinal, tens um público cativo no Brasil. Como te sentes a preparar estes concertos para te apresentar no teu país? 

M: Sinto-me imensamente feliz, muito ansiosa e um tanto triste. Feliz por estar de volta, cheia de saudade de tocar. Ansiosa porque é uma enorme responsabilidade e desafio. E, finalmente, triste, porque só poderei fazer Rio e São Paulo e algumas cidades em Portugal, porque tenho uma bebé muito pequeninha, de 7 meses.

5) M: Cá ou lá. Lá ou cá. O que podemos esperar num concerto ao vivo teu? 

M: Tenho muito orgulho da minha espontaneidade. Ainda mais um concerto tão íntimo, tão natural, tão orgânico... Pode esperar-se um retrato de quem sou hoje: as canções que me trouxeram até aqui e algumas próximas que me levarão ao passo seguinte. A maioria é de minha autoria mas há interpretações marcantes da minha carreira também. O cenário que estou a preparar está a ficar lindo e vai deixar o show ainda mais marcante. Podem vir ver-me que vai ser bom.

6) M: Qual é a mensagem principal da tua música? O que gostavas que transmitisse às pessoas? 

M: Acho que há um desejo libertário, um desejo de se livrar dos pesos, das dores, dos medos... E, também, há a celebração, da vida, do amor, dos erros, da sorte, da alegria...

7) M: Destaca uma música que marcou a tua carreira e justifica a tua escolha.

M: Acho que a Gal Costa cantando minha canção “Quando Você Olha para Ela” foi um momento extremamente marcante para mim e para minha carreira. Ganhei coragem de fazer MPB [música popular brasileira], de fazer samba, de me arriscar nesse tão valioso mundo da música brasileira.

8) M: Que noção é que um artista nunca deve perder? 

M: Que a vida continua apesar dos concertos, das vendas, das críticas nos jornais, dos haters e dos fãs. Sejamos adorados ou odiados, a vida continua. A padaria abre cedo, a farmácia também, o vizinho vai passear o cão e o carteiro vai deixar cartas. É um grande consolo e um grande lembrete.

9) M: Qual é o teu lema? 

M: Quem tenta, consegue.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

M: Viva a MELANCIA mag!! Esse lindo espaço de conhecer, de alegrar e de pensar.

www.facebook.com/mallumagalhaes

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