Entrevista: juliana lima

ILUSTRAÇÕES: MÁRCIO MORENO

MÁRCIO

MORENO

Márcio Moreno é um ilustrador com estilo bastante único. Cria personagens cheios de pormenores que sempre nos chamou à atenção. Nesta entrevista exclusiva, conta-nos que sempre gostou de desenhar mas nunca imaginou fazer disso profissão e mesmo com todas as dificuldades de viver da sua arte, pretende seguir nessa loucura e continuar desenhando. Perde-te connosco neste universo dos traços e inspira-te com tanto talento e dedicação.

1) MELANCIA: Como te descreves numa frase?
MÁRCIO: 
Uma pessoa quase normal que gosta de desenhar.

2) M: Visto que te licenciaste em Artes, imaginámos que o teu gosto pela área sempre existiu. Entretanto gostaríamos de saber se te lembras como decidiste que era mesmo isto que querias fazer da vida?
M: Eu sempre gostei de desenhar, mas nunca pensei que poderia ser uma profissão. Fiz alguns cursos de desenho e design na adolescência e comecei a trabalhar fazendo arte-final para silk screen, depois fiquei 1 ano desempregado. Mas sempre estava desenhando, era uma atividade que sempre me divertiu. Hoje quando penso nessas fases acredito que foram várias situações, boas e ruins, e oportunidades que acabaram influenciando na escolha. Talvez uma que ficou marcada é a que conto no vídeo do projeto oqueetristezapravoce.com.br. Eu estava 1 ano sem trabalhar, apareceu uma oportunidade de trabalhar em uma loja de material de construção, era indicação de um vizinho, chegou na hora da entrevista conversando com a psicóloga e com o cara do RH, eles perceberam meu interesse por artes em geral, conversaram e comigo acabei desistindo da vaga. Acho que foi aí que percebi que o que eu gostava de fazer podia ser uma profissão e que realmente gosta daquilo, porque aquelas pessoas que nem me conheciam, identificaram meu interesse por arte.

3) M: Tiveste alguma dificuldade no início da tua carreira artística? 

M: Sim, as dificuldades existem até hoje, seja financeira, criativa, produtiva, etc. Mas penso que em qualquer profissão isso ocorre. Então prefiro insistir no que eu gosto de fazer e ver no que dá.

4) M: Sabemos que já trabalhaste com design. Conta-nos como foi conciliar a arte com o trabalho. 

M: Comecei fazendo arte final para silk screen depois trabalhei 5 anos com design gráfico em uma pequena empresa próximo aonde morava em Santo André. Me formei em Artes Visuais em 2009 e entrei de sócio em um estúdio de design que fiquei mais 6 anos. Sempre tive contato com design, desde do meu primeiro emprego isso me deu uma boa bagagem de criação, agilidade, atendimento, produção, relacionamento com cliente, tudo isso acabo aplicando no meu trabalho.

5) M: Hoje vives dos teus trabalhos artísticos, certo? Como te sentes? Conta-nos as alegrias e as dificuldades de ter optado por seguir com a arte como fonte de renda.

M: Apesar de trabalhar com ilustração desde de 2007, foi em agosto de 2015 que comecei a trabalhar realmente sozinho, não faz nem 1 ano, ainda estou colocando a casa em ordem e se adaptando a nova rotina. Penso que o dinheiro é apenas uma das recompensas do meu trabalho, não estou ganhando muito, é difícil manter uma regularidade mensal de facturação. Mas por outro lado, pelo fato de trabalhar em casa, consigo fazer minha rotina, meus horários, não pego transito, estou vendo diariamente minha filha crescer, hoje com 6 meses. Quando aparece os problemas e dificuldade, tento pensar nas coisas positiva e o privilégio que tenho de trabalhar com desenho. Sou extremamente grato ao desenho, tento me dedicar o máximo que posso e me doar para retribuir o que ele tem me dado. Já pensei em parar, fazer outra coisa, mas não consegui, então continuo na luta. Dou aula, faço ilustração, vendo originais, estou começando na tatuagem, fazendo uma HQ com amigo, tenho alguns produtos que quero produzir e assim vai indo, tudo que consigo explorar com meu desenho tenho explorado, talvez futuramente tenho que fazer algumas escolhas, mas por enquanto, tento manter tudo em movimento.

6) M: Tens um estilo muito próprio, que para além do traço também é marcado pelos personagens. Como encontraste a tua maneira de ilustrar? 

M: Não existe uma técnica ou uma fórmula, penso que meu desenho está em constante evolução. Tento explorar os fundamentos básicos do desenho com referências e experiências pessoais. Gosto de andar pela rua, tirar foto de pessoas, memorizar lugares, olhar, ver outros artistas, escutar histórias, coletar objetos, conhecer pessoas e desenhar. Exercitar o desenho diariamente, hoje um pouquinho mais maduro, consigo ver que a mistura de tudo isso é o que dá corpo para meu trabalho.

7) M: Desenhas em formatos digitais ou ainda recorres sempre ao papel e à caneta? 

M: Depende do trabalho, de qual será a sua finalidade, as vezes começa no digital e vai para o papel. Mas quase sempre começo desenhando no meu caderno e decido se vou finalizar no photoshop ou a mão. Eu gosto muito mais do papel, meu desenho fica mais orgânico e tenho maior controle.

8) M: O teu portfólio está sempre em crescimento, que projeto destacas? E porquê? 

M: Os clientes ou pessoas que consomem meu trabalho pedem isso. Então todos projetos ficam divertidos, sempre apreendo alguma coisa nova, faço amizades. Gosto bastante dos que faço para o mercado editorial e também os relacionados ao skate e música, que são assuntos do meu interesse, então fica mais fácil de fazer.

9) M: Que objectivos pretendes atingir? 

M: Quero continuar desenhando, apreendendo e sobrevivendo do meu trabalho.

10) M: O que te vês a fazer no futuro? 

M: Devo continuar nessa loucura de desenhar.

13) M: Deixa uma mensagem para a MELANCIA mag e os seus leitores. 

N: Fico extremamente feliz de poder falar um pouco sobre desenho e saber que existe pessoas que gostam e acompanham meu trabalho. Muito obrigado a todos, obrigado pelo convite, vida longa a MELANCIA mag!

www.marciomoreno.com

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