Entrevista: juliana lima

bordados: vários

clube do

bordado

Que o handmade está em alta, todos nós sabemos. E, com isso, cada vez mais encontramos artistas que usam as atividades manuais para apresentarem trabalhos incríveis. Mas um projecto de bordado em particular captou a nossa atenção, pois para além de toda a técnica, pormenores e delicadeza desta arte que é bordar, os temas são bastante diferenciados como o erotismo, o feminismo e a liberdade de gênero, que vêm como mais uma forma de se expressarem. Não percas esta entrevista exclusiva e conhece o Clube do Bordado e todo o girl power que estas 6 raparigas espalham por aí.

1) MELANCIA: Gostaríamos de saber quem está por de trás deste lindo projecto? Quem são estas bordadeiras que formam este coletivo?
CLUBE DO BORDADO: 
Renata Dania, 29, designer; Camila Gomes Lopes, 28, designer; Amanda Zacarkim, 28, jornalista; Marina Dini, 29, designer; Vanessa Israel, 26, designer; Laís Souza, 29, designer.

2) M: Como as bordadeiras do Clube do Bordado se conheceram e como surgiu a ideia criarem este projeto?
CB: O Clube do bordado começou em agosto de 2013, como uma reunião despretensiosa de seis amigas. Os encontros começaram a partir do desejo de aprender a bordar e ter uma atividade nova dentro das nossas rotinas. Passamos quase um ano tendo o Clube como um ponto de encontro entre nós, já que semanalmente nos encontrávamos para bordar e compartilhar acontecimentos do cotidiano. Em junho de 2014, surgiu a primeira oportunidade de participar da feira PopPorn, e para ela preparamos nossa primeira coleção, Soft Porn, que tratava da sexualidade de uma forma delicada. Desde então participamos de diversas feiras, criamos coleções temáticas, realizamos encontros abertos e cursos para ensinar e aprender coletivamente. No fim de 2015 realizamos nosso primeiro curso online e com ele conseguimos chegar a diversos públicos espalhados pelo Brasil, o que foi uma experiência instigante para nós.

3) M: Sabemos que o Clube dá oficinas além de vender produtos e fazer peças por encomenda, entretanto gostaríamos de saber com as vossas palavras: qual o principal objetivo do projeto? 

CB: Acho que o principal objetivo do Clube do Bordado é o de fomentar a cultura do bordado entre atuantes e simpatizantes do feito à mão. Em nosso coletivo criamos ilustrações e bordados contemporâneos, promovemos encontros abertos e damos cursos e oficinas pelo Brasil e pela Europa. Buscamos, através dessas atividades incentivar outras pessoas a se aventurarem nos trabalhos manuais. Além dos produtos diretamente relacionados ao bordado, desenvolvemos ações de conteúdo que resgatam o feito à mão com uma base de atuação online, usando as redes sociais como principal plataforma para ampliação do conhecimento e troca de saberes, abrindo um caminho de educação e empoderamento para além da técnica do bordado.

4) M: Percebemos que no vosso trabalho, vocês usam muitas técnicas das artes. Fala-nos do vosso processo criativo, da prática e da execução. 

CB: Nós sempre discutimos sobre os temas em conjunto e normalmente as coleções estão relacionadas com o nosso cotidiano. Nosso processo criativo é muito livre e cada bordadeira tem seu jeito diferente de criar; algumas pesquisam imagens inspiracionais no pinterest, outras assistem um filme ou ouvem uma música relacionados com o tema. É bem particular, mesmo.

5) M: Todos os artistas buscam referências e inspirações. Quais são as vossas? 

CB: Nós buscamos referências não só na arte também, mas buscamos inspiração visitando exposições, em um filme que nos comova e/ou que tenha algo a ver com a temática que estamos trabalhando; pode até ser na experiência de sabor de um jantar. O leque de inspirações é muito amplo e vasto, o que é maravilhoso. É muito bom podermos buscar inspiração em nosso quotidiano e nas atividades do dia a dia.

6) M: Percebemos que a natureza, o amor na sua forma mais pura e verdadeira, e o feminismo são temas recorrentes para o Clube do Bordado. Falem-nos sobre as causas que apoiam e explica-nos o porquê.

CB: O bordado erótico, os temas feministas e de liberdade de gênero vem como mais uma forma de se expressar. Acreditamos que nosso trabalho pode auxiliar na desmistificação de certos tabus. A representação de um corpo nu é muito antiga nas artes visuais, mas bem recente no bordado. A possibilidade de representar a nudez feminina no bordado acaba sendo empoderador, pois trata de mulheres tomando de volta para si o direito de se representar. Da forma que lhes convém. Muitas ações estão contribuindo para a libertação de antigas amarras que prendiam as mulheres. O bordado é só mais uma forma de expressão e representação deste momento e ficamos felizes de nos expressar através desta técnica.

7) M: O Clube do Bordado lançou uma coleção de jóias em parceria com a designer Júlia Assis. As peças são mesmo relíquias. Contem-nos como surgiu esta parceria e como sentem-se com o resultado e toda a repercussão da linha.

CB: Conhecemos a Júlia como nossa cliente. Fiz o bordado que ela encomendou e nos encontramos para tomar um café no dia da entrega. Ela me contou que tinha acabado de sair do emprego formal para se dedicar ao design de joias, movimento muito parecido com o meu na época, que estava planejando sair do emprego para me dedicar ao Clube. Pois bem, aí surgiu a ideia de juntarmos as paixões e fazermos essa parceria. Alguns meses depois ela nos apresentou o bastidor em prata e amamos. Nesta coleção, o amor é traduzido em joias bordadas, criações tão delicadas quanto o apreço do que carregamos no peito. Cada desenho foi pensado por uma de nós, com sua visão de amar, o tema central. E como tudo que é feito com amor, a repercussão foi ótima. Estamos felizes por fazer parte do momento de presentear das pessoas, mesmo que sejam a elas próprias.

8) M: Conseguem destacar um episódio ou feito especial que aconteceu durante toda a existência do Clube do Bordado? Contem-nos qual foi e expliquem-nos porquê.

CB: Quando estamos no parque bordando e alguma senhorinha nos vê, elas se aproximam para conhecer nosso trabalho e sempre se surpreendem com as ilustrações. Elas ficam felizes por verem a técnica do bordado renascer e ver que a tradição não está perdida. Ficamos surpresas com a aceitação do público em geral, mesmo lidando com temas delicados e polêmicos como nudez e sexo.

9) M: Recentemente o Clube esteve na Holanda. Contem-nos um pouco sobre esta experiência e a vossa intenção de levar esta cultura para os quatro cantos do mundo.

CB : Uma das integrantes do Clube do Bordado, a Amanda Zacarkim, mudou-se para a Holanda em 2015. Foi uma ótima oportunidade para estendermos nossa área de atuação para a Europa. Lá ela tem ministrado cursos e participado de feiras, além de participar de todas as decisões e projetos do Clube aqui no Brasil de maneira remota.

10) M: Quais os próximos passos do Clube do Bordado? Eventos, oficinas, viagens. 

CB: Em julho temos oficinas agendadas em São Paulo e São José do Rio Preto pelo Sesc e também no Pipoca, nosso espaço de co-working. Ainda esse mês iremos para Florianópolis também. Nos dias 20 e 21 de agosto estaremos em Curitiba. Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Uberlândia, Goiânia e Brasília também já estão em nosso cronograma do segundo semestre. E vamos fazer uma viagem de pesquisa e ministraremos cursos no México em outubro!

11) M: Deixem um recadinho para a MELANCIA mag e os seus leitores. 

CB: Ficamos muito felizes com o convite para a entrevista e adoramos conhecer o trabalho da Melancia MAG. É uma curadoria de muito bom gosto e qualidade em conteúdo e estética. Esperamos que gostem do nosso trabalho e sintam-se muito bem-vindos para nos acompanhar nas redes sociais.

http://www.oclubedobordado.com/

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